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Flávio pousa nos EUA
A Coluna do Lúcio Ferrari conecta o leitor ao que realmente importa: as histórias, os desafios e as conquistas de quem vive e transforma o Mato Grosso do Sul, um retrato autêntico do nosso cotidiano.
29/10/2026 06h36
Por: Lucio Ferrari

Flávio pousa nos EUA

Flávio Bolsonaro pousou nos Estados Unidos, às 10h24 de ontem, no aeroporto de Miami, acompanhado de sua esposa e suas duas filhas. O desembarque desmentiu informações de que ele já estaria nos EUA e suposições de que ele teria ido pela Venezuela.
Lembrando: No domingo, Moraes determinou o cancelamento e entrega de passaportes de Flávio, 7 minutos após o resultado das urnas, dentro do processo em que ele e Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.
Qual foi o trajeto e como ele saiu do Brasil?
1) Às 22h50 de terça, ele cruzou a fronteira de Foz do Iguaçu para Puerto Iguazú, na Argentina, onde basta usar o RG. 2) Quarenta minutos depois, embarcou num jato da Baires Fly rumo a Guayaquil, no Equador. 3) De lá, seguiu para Miami.
A Baires Fly, empresa que freta voos privados, é investigada por suposto esquema de lavagem de dinheiro da agência do governo argentino para pessoas com deficiência, comandada por um ex-advogado de Milei.
A Polícia Federal monitorou o jato o dia todo, mas não podia impedir a decolagem, uma vez que não tem poder de agir fora do Brasil.
Mas como ele viajou sem passaporte?
Ainda não está 100% claro. O registro do voo da Argentina ao Equador indica que Flávio usou passaporte italiano. Por outro lado, registros da alfândega americana apontam que ele entrou nos EUA com o passaporte diplomático brasileiro, que já tinha sido cancelado pela PF.
A família ganhou o direito de ficar um ano nos EUA como “parole humanitário”, uma entrada de emergência usada para refugiados, como os da guerra da Ucrânia. A defesa ainda não explicou o uso do documento cancelado. O destino dos quatro nos EUA ainda é desconhecido.

A carta

Mais no fim do dia, quando você já tava considerando largar a caneta e ir pra casa, Flávio postou uma nota — e depois editou ela.
Primeiro, ele se autoproclamou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na sequência, ele logo corrigiu o texto para se intitular apenas como “líder do Brasil”. Veja as alterações aqui.
Além disso, voltou a falar em fraude nas urnas, sem provas concretas, e agradeceu a Trump e Milei pela ajuda na saída.
Flávio nega que tenha fugido. Ele diz que corria risco de ser preso e que vai comandar a oposição ao governo Lula dos EUA. Ele vai dar uma entrevista coletiva em Miami hoje, que deve indicar como serão os próximos passos da direita no Brasil.
No fim do dia, Tarcísio de Freitas, governador de SP aliado da família Bolsonaro adotou outra postura. Em nota, ele disse que “a eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente.” O movimento pode indicar uma divisão entre aliados da família Bolsonaro.
Antes do pouso de Flávio, Trump havia dito que aprovaria a ida dele aos EUA e chamou as eleições brasileiras de “muito estranhas”. Depois da nota, ele afirmou que prefere não se meter — preferindo não comprar a tese de golpe levantada na carta de Flávio.

Tarcísio gera revolta entre Bolsonaristas 

Os pronunciamentos de Tarcísio de Freitas, feitos antes e depois da carta de Flávio Bolsonaro, provocaram críticas entre setores bolsonaristas. Parte da militância avalia que o governador se antecipou ao senador ao reconhecer a vitória de Lula e defender o respeito às urnas, interpretando a postura como uma tentativa de assumir o protagonismo da oposição.
A reação ganhou força porque aliados e dirigentes partidários já apontam Tarcísio como possível principal liderança da direita e candidato competitivo para 2030. Embora o governador tenha agradecido a Flávio pela campanha e afirmado compreender sua indignação, críticos dizem que ele estaria aproveitando o desgaste do senador para ocupar seu espaço político — ou, nas palavras de apoiadores mais fiéis ao clã Bolsonaro, “passando Flávio para trás”.

O conselho de Tarcísio

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que aconselhou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a não deixar o Brasil após a derrota nas eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Tarcísio, a orientação foi para que o parlamentar permanecesse no país diante do cenário político após o resultado das urnas. Flávio, porém, viajou com a família para os Estados Unidos, passando pela Argentina e pelo Equador antes de chegar à região de Miami, na quarta-feira (28).
A declaração ocorre em meio à repercussão da carta divulgada por Flávio nos Estados Unidos, na qual ele contestou o resultado eleitoral e inicialmente se apresentou como “verdadeiro presidente do Brasil”, antes de alterar o texto para “líder do Brasil”. 

Carta ignorada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não comentou publicamente a carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), na qual o parlamentar contestou o resultado das eleições e fez alegações de fraude sem apresentar provas. Nesta quarta-feira (28), Lula publicou uma mensagem nas redes sociais em referência ao Dia do Servidor Público, celebrado na mesma data, sem mencionar o adversário político.
A manifestação ocorreu em meio à repercussão da carta de Flávio, que inicialmente se apresentou como “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e, em uma versão posterior, alterou a expressão para “líder do Brasil”. O documento provocou reações de autoridades e aliados do senador, enquanto representantes de instituições eleitorais reafirmaram a legitimidade do processo. 

Fim do Bolsonarismo?

O ex-presidente do partido Novo João Amoêdo afirmou nesta quarta-feira (28) que a saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e a divulgação de uma carta em que o senador se declarou inicialmente “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” representam o fim do bolsonarismo. Em publicação nas redes sociais, Amoêdo criticou a postura do parlamentar após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu a construção de uma alternativa política sem as lideranças que apoiaram o senador. “A fuga de Flávio e o manifesto divulgado por ele hoje não deixam dúvidas: o sucessor de Jair enterrou o bolsonarismo. Está na hora de construirmos uma alternativa para o Brasil, e não será com as lideranças políticas que apoiaram Flávio”, declarou. 

Presidente é aquele que o TSE declarou eleito

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta quarta-feira (28) que o presidente do Brasil é “aquele que o TSE declarou eleito”, em resposta à carta divulgada por Flávio Bolsonaro (PL), na qual o senador se apresentou inicialmente como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Nunes apoiou Flávio durante toda a campanha presidencial, mas reforçou o reconhecimento do resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. O prefeito também cobrou mudanças no próximo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Cabe agora ao Lula governar buscando corrigir os rumos, principalmente da economia, e a oposição fiscalizar e cobrar o cumprimento das promessas”, declarou ao Estadão.

Jumentos

O pastor Silas Malafaia chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “jumentos” após a repercussão da carta em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se declarou inicialmente “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mesmo após a derrota na eleição presidencial. Em mensagem enviada a aliados pelo WhatsApp nesta quarta-feira (28), Malafaia criticou a condução política do episódio e afirmou que os irmãos se aconselham com pessoas erradas. “Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu o pastor, segundo informações da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Colisão na Espanha

Pelo menos 68 pessoas morreram após a colisão entre dois trens de alta velocidade na província de Toledo, na Espanha, nesta quarta-feira. O acidente aconteceu pouco depois das 9h, no horário local, entre as cidades de Los Yébenes e Urda. Dois vagões teriam saído dos trilhos e caído por um barranco.

Estrategista internacional? 

André Janones foi convidado pelo governo da Espanha e, na sequência, pelo governo do México, para discutir ações conjuntas para o fortalecimento da esquerda nos países. O movimento acontece depois de Janones ter liderado a estratégia de Lula no segundo turno, somando +10M de participantes no canal de WhatsApp “Exército do Lula”.

Pra finalizar

Amor cotidiano

Uma boa conversa não precisa ter um assunto extraordinário. Às vezes, prestar atenção e falar sem pressa sobre coisas simples é justamente o que nos aproxima de alguém. Boa quinta-feira!

Frase de Para-choque

“Enquanto muitos vão na sorte eu vou na fé.”