
Um debate sobre políticas públicas voltadas à população trans terminou com uma revelação inédita na Câmara Municipal de Campo Grande, na sessão desta terça-feira (8). Durante a discussão sobre uma cartilha voltada ao atendimento de saúde para homens trans que desejam engravidar, a vereadora Ana Portela (PL), da base bolsonarista, afirmou publicamente, pela primeira vez, ser lésbica e casada há 11 anos com Larissa Alves de Souza.
A declaração foi uma resposta ao vereador Jean Ferreira (PT), que acusou a bancada do PL de demonstrar preconceito durante o debate. A cartilha em questão — intitulada “Cuidando com Respeito: Gestação de Homens Trans e Transmasculines” — foi elaborada por uma entidade voltada à defesa de pessoas trans, com o objetivo de orientar profissionais de saúde e ampliar o acesso a cuidados adequados à população trans em Mato Grosso do Sul.
Apesar de se posicionar contrariamente ao que classificou como “militância identitária”, Portela tornou-se a primeira parlamentar mulher da atual legislatura a assumir publicamente uma relação homoafetiva no plenário da Câmara.
“Todos aqui sabem, todos os colegas sabem: sou casada há 11 anos com a Larissa Alves de Souza, e eu não sou preconceituosa. Não preciso usar essas pessoas como massa de manobra”, afirmou Portela durante seu pronunciamento.
A vereadora também criticou o que considera uma tentativa de promover divisões ideológicas com base em identidade. “Antes de ser casada com a Larissa, eu sou Ana Portela, sou filha, tenho pai e mãe, e não sou minoria. Não é nós contra eles”, completou.
A fala gerou repercussão entre os parlamentares presentes e trouxe à tona a tensão recorrente entre pautas progressistas e conservadoras no legislativo municipal.