O entrevistado é o vereador Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy (PSDB), presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, ele falou sobre o projeto de lei aprovado que, após sanção da prefeita Adriane Lopes (PP), passa a ser obrigatoriedade o uso de ar condicionado em novos ônibus do transporte público. O vereador também comentou sobre a CPI do Consórcio Guaicurus e demais assuntos de interesse dos cidadãos campo-grandenses.
JB – A Câmara aprovou projeto de lei para ar condicionado em novos ônibus do transporte público.
Papy – Um projeto de autoria do vereador Landmark, assinado por diversos vereadores. Vale ressaltar que as bancadas inteiras do PT e PL são os autores; lembrando que são bancadas que sempre costumam divergir bastante, mas dessa vez se uniram para aprovar o projeto. Eu também trabalhei bastante para que o projeto fosse aprovado hoje, e agora, vamos trabalhar para a sanção. Vale ressaltar que esse projeto é válido para os novos veículos, é uma obrigatoriedade para os ônibus novos que vierem, todos deverão ter ar condicionado. É um ganho para a sociedade, esse projeto levou uma hora e meia de discussão para ser aprovado, quem ganha com isso é a comunidade.
JB – Quanto a CPI do Consórcio Guaicurus, qual sua expectativa?
Papy – A expectativa é trazer resultados para a população. Resultado prático para a melhoria do transporte público, desde o início sempre foi esse nosso objetivo. A CPI era um tabu, não saia CPI aqui, tinha uma dificuldade de debater esse assunto em modelo de inquisição, em modelo de investigar, apenas alguns vereadores falavam a respeito do transporte, hoje é diferente a Casa inteira está trabalhando com relação a CPI, com cinco membros e demais vereadores. O primeiro ganho é ter saído a CPI, quando muita gente não acreditava que poderia acontecer e aconteceu, ela está dando fruto e a expectativa é que no futuro ela venha dar mais frutos ainda.
JB – O que seria o certo? Rescindir o contrato ou apoiar financeiramente o Consórcio?
Papy – Eu falei em investimento na empresa e alguém interpretou errado, quando eu falo em subsídios, é bom lembrar que já existe. Hoje é contratual, porque o transporte é público; eu falo é investimento no transporte, como por exemplo cobertura de pontos de ônibus, reforma de terminais, compra de novos ônibus, além de investimento robusto na mobilidade urbana, essa é minha teoria, essa é minha tese, rescindir o contrato sem mudar o modelo, trocar de empresa, não vejo como sendo o melhor caminho, pra mim tanto faz se rescindir ou não, se vai ser a empresa A, B ou C, não faz diferença. Essas empresas estão em Campo Grande há muitos anos, são as mesmas empresas: Viação Morena, São Francisco e Jaguar, são empresas que sempre trabalharam em Campo Grande. Elas estão juntas, em um único CNPJ, porque é um consócio, são empresas que a gente conhece desde sempre; então, ter uma nova empresa sem mudar o modelo de contrato ou um modelo de transporte que nós temos, eu acho que não mudaria aquilo que a população gostaria. A CPI não tem legitimidade pra rescindir o contrato, só pode rescindir o contrato o Consórcio ou a Prefeitura, que são as pessoas jurídicas que assinaram esse contrato. Nós podemos dar sugestões, eu não posso antecipar por que não sei como será o relatório, mas quando eu falo de investimento no transporte, é uma opinião do vereador Papy. Outra coisa, precisa ter mobilidade urbana, ou seja, têm que ter vias expressas para os ônibus, melhor malha asfáltica, asfaltar as ruas de bairros onde tem linhas de ônibus, construção de mais terminais, semáforos inteligentes. Assim, é você permitir que o ônibus ande mais rápido na cidade, sem ficar misturado com o trânsito de carros e motos. Enfim, essa é minha sugestão; talvez eu tenha sido mal interpretado, porque todo mundo anda com muita angústia por uma solução e eu entendo, mas o investimento público é para ser investido naquilo que é público, não é dinheiro para o Consórcio, nunca disse isso, é dinheiro investido na cidade, no transporte coletivo.
JB – Sua gestão é de parcerias com seguimentos da cidade?
Papy – Aqui é a Casa do Povo e nós precisamos receber os seguimentos, às vezes, um lojista tem uma “dor” lá e ele conhece um vereador e ele traz aqui sua demanda, mas quando vem o líder do seguimento, a Associação Comercial aí se fala de todos os comerciantes, todos os lojistas, então é muito importante a Câmara estar aberta ao diálogo e ouvir. Recebemos também a visita de representantes da FIEMS, SENAI, FECOMÉRCIO, SEBRAE, ACRISUL, Sindicato Rural, Associação de Pastores, Associação Médica, entre muitos outros, a ideia é essa, é ser o mais aberto ao diálogo possível, na minha gestão.
JB – Fale sobre saúde, educação, malha asfáltica, dentre outras.
Papy – Precisamos melhorar, a população percebe isso, a falta de investimento, a precariedade dos serviços. Eu penso que se a população sabe, a prefeita e os secretários também sabem, então eu imagino que eles estejam trabalhando nesse sentido, para resolver os problemas da cidade. As soluções não são imediatas e nem mágicas, elas exigem trabalho, planejamento, exigem pessoas técnicas trabalhando em relação a isso. Nós temos batido na tecla que o município precisa fazer economia, precisa ter um plano de contenção de gastos, tenho discutido isso com a prefeita. Parece que, em breve, ela vai mandar um projeto para esta casa, para a gente fazer uma nova reforma ou ampliar a reforma feita, colocando algumas travas em relação a novos gastos. A Câmara tem que fazer sua parte também, hoje por exemplo, o ar do “busão” é um projeto que encarece, é um projeto que exige gastar mais, com isso temos que ter cuidado de não onerar o município.
JB – Vereador deixo o espaço para suas considerações finais.
Papy – Obrigado pela oportunidade de poder falar com a comunidade de Campo Grande e dizer que as portas da Câmara Municipal estarão sempre abertas para a população.